Bella era ela, mulher de corpo sedento e liberdades libertinas.
Aquele jeito de devoradora, sempre com a frase certa, sempre cabeça aberta.
Despia-se da forma mais desejável, mais sensual.
Seduzia a todos os homens e mulheres que conhecia em mesas de bar.
O sexo era uma maravilha, e praticava bastante, com afinco.
O problema dela era que não tinha mais vontade.
Tinha vontade de ser amada.
Tinha mesmo era uma vontade de ser cuidada, bicho de estimação.
Queria ser mulher difícil, daquelas que se leva meses para ter e anos para conquistar.
Mas queria tanto amar que se dava por conquistada em três minutos e quinze segundos.
Achava que ninguém perderia mais que isso em conversas.
Bella era inteligente e culta, mas não conhecia seu potencial.
Quando era só palavras, hipnotizava a todos, era o centro das atenções, mas tinha que meter o corpo no meio, a estúpida.
Porque alguém o queria, e quando não, porque o usava como se fosse seu único atrativo.
Um dia conheceu o homem das conversas intermináveis.
Então ela se despiu das ilusões criadas e vestiu-se de palavras e gestos singelos.
Casou-se com um caderno e se fez poesia.
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2 comentários:
Você e seus belos textos....
Fez-me morder a boca aqui...
Bjus de quem te admira muito...
Julio Cesar
Mulher - poesia ...
Que assim seja!
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